terça-feira, 6 de fevereiro de 2018

Frágeis, descartáveis e substituíveis.


Quando nos desarmamos ficamos vulneráveis e colocamos todos nossos defeitos a mostra – por um lado é positivo, já que nos revelamos seres sensíveis, cheios de erros e imperfeições; por outro negativo. A face negativa desta questão está no motivo que as pessoas desejam relacionar-se com um parceiro “Super-Homem”, o idealizado. Quando você evidencia suas questões problemáticas e dificuldades, as projeções desabam velozmente, os diálogo viram monólogos, revelando que as pessoas não sabem lidar com tal situação e correm as pressas para longe de ti temendo que isso recaia um problema futuramente. Ao invés de se mostrar uma base de sustentação, ao qual você pode presumir como um apoio, preferem desvanecer.

Nesta vida líquida de vivemos esperar do outro um entendimento de suas questões internas, torna-se a relação intransigente e impaciente. 

Suas fragilidades são expostas, a projeção utópica se dilui e as pessoas te trocam sem remorso.
As relações na contemporaneidade são frágeis, descartáveis e substituíveis.

segunda-feira, 7 de agosto de 2017

Concretude

O relógio marca onze horas e vinte seis minutos de uma quinta-feira qualquer, me desloco com minha caneca repleta de café e um maço de cigarro barato para a janela de minha residência. Observo atentamente a paisagem na sua mais bela concretude cinza e os picos de luz dentro das habitações em todo meu entorno.

Acabo de me recordar da minha adolescência, período da puberdade em que a maior preocupação consistia somente na responsabilidade escolar. Remeto-me a momentos que me marcaram nesta sombria fase, e me pego lembrando de uma série que assiduamente assistia.

Tratava-se de quatro mulheres em seus trinta e pouco anos que buscavam um relacionamento sólido numa cidade assim como a que habito. Naquele período visualizava o enredo como problemas de relacionamento utópicos, que ninguém se decaia com aquelas situações: relacionamentos desfeitos por falta de diálogo, por projeções subjetivas malogradas, desinteresses mútuos. Relações nada concretas.

A ideação de concretude, analisando, atravessa os sentimentos. Cada dia que passa, as relações, e não me remeto somente as amorosas, possuem forma liquida, que facilmente é escoado por um ralo qualquer.

A concretude experimentada na contemporaneidade traz a dubiedade, o exílio, a visão acinzentada.


Meio maço de cigarro já consumido, o café gélido, e experimento deduzir que a madrugada já se faz presente. Fecho a janela, deslizo as cortinas. Amanhã vivenciarei mais um dia em meio a paisagem concreta e esguia, sendo mais um proletário na esperança de contemplar um matiz não só pelos logradouros urbanos, mas na vida.

quarta-feira, 7 de outubro de 2015

Essência Limpa

"...Destino Incerto
Tempo é uma ilusão
Íris da Noite
Ela Revela
A Próxima dimensão..."


Relendo hoje todos os posts antigos de reflexão deste blog, me pergunto: O que aconteceu comigo? Onde eu me perdi?

Eu almejei tanto alguém que correspondesse meus desejos e minhas projeções e não soube administrar quando encontrei por causa de um passado de marcas e cicatrizes adquiridas. Cada um tem seu fantasma.

Mentira, omissão, é complicado lidar com isso. Me relacionei com pessoas que cobrava a clareza de tudo, mas quando explanava tudo ela se recolhia e se afastava cada vez mais de mim. Outras preferiam não saber pra não desencadear um ciúmes possessivo, e se autodeclaravam assim. A verdade também dói. Vivemos num campo minado quando envolve sentimentos.

Ano anterior tive um relacionamento extremamente conturbado cuja base era ciúmes, discussões, sentimentos destrutivos. Inconscientemente fui me fechando mais ainda. Introversão total. Eu só expresso meus sentimentos no limite, quando me defronto com o caos.

Todos nós acabamos trazendo traumas de relacionamentos passados, não há o que discutir. A cada pessoa que nos envolvemos somos moldados e uma característica se altera. Ninguém sai de um relacionamento do jeito que entrou. Somos afetados a todo tempo de maneira positiva e negativa.

Ouvi esses dias que Tesão, Paixão e Amor andam juntos, mas qualquer um deles é destrutível a qualquer momento. Atos, falas, comportamentos os destroem. Será que virei uma pessoa que só me sinto vivo meio a situações perturbadoras? Só assim consigo me colocar?

No início de um relacionamento você deve cobrar o que poderá dar, caso contrário não haverá evolução. A pessoa que me disser que é perfeita, que não errou uma vez na vida, eu vou caçoar! Sempre tem algo pra ser aprendido e superado. Reconheci meus erros, chorei, implorei, me arrependi... Tudo em vão! Recebi o desprezo, a mágoa, a bandeira branca com manchas vermelhas... Era tarde demais para me redimir.

Esse ano deixei meu orgulho de lado, mas talvez devesse voltar a ser orgulhoso. O Orgulho não nos tira do sofrimento, mas ameniza a queda.

Minha vida é uma desordem, meu comportamento é uma bagunça, e sim, eu sou o caos.

É hora da limpeza na minha essência e buscar por respostas.

terça-feira, 22 de abril de 2014

Aquele/Aquela

Aquele encontro
Aquele jogo de conquista
Aquele sorriso sem vergonha
Aquele calor entre os corpos
Aquele sexo sem pudor

Aquele arrependimento incompreendido
Aquele sentimento frio repentino
Aquele silêncio que perdurou
Aquele dia que você me deixou
Aquele dia que tudo acabou

Aquela decepção
Aquela recordação
Aquela aflição
Aquela mensagem que nunca vou receber.

Aquela temporada fria sem aquele que poderia me aquecer.

quarta-feira, 19 de março de 2014

Ceder de si

Foi se o tempo que insistia em permanecer no cárcere da ilusão, no calabouço da amargura.
Hoje possuo uma posição indiferente nas questões inerentes aos meus sentimentos, na verdade mascaro minhas sentimentalidades através dessa indiferença, me recuso a evidenciar. 
Os poéticos ao se revelarem, sofrem demasiadamente. É um preço elevado que se paga.
As relações andam tão efêmeras, que a construção temporal de um “permitir conhecer aos poucos” se tornou algo descartável. Procrastina-se o conhecer a essência das pessoas e agiliza-se o prazer da libido sem arrependimento nenhum, em uma intensidade célere e com um período breve.
As poesias, de outrora, que expressam as ardências de uma paixão da alma, tornam-se tão ridicularizadas, não possuem espaço e não se sustentam nas relações pós-modernas. 
No cotidiano as conversas apresentam um déficit léxico e as pessoas vazias.
O ceder de si para o outro com o tempo é algo prejudicial pra quem está com o coração deteriorado e a consciência esclarecida. 

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Trouxe pouco, levo menos.

Viver intensamente, viver.

Reflexão. Introspecção.

Começo um relacionamento com uma pitada de adrenalina, e me jogo sem pensar nos próximos dias, pulo de cabeça em uma piscina rasa sem a certeza de estar com uma quantidade segura de água para que não me machuque. Dou minha alma até o fim, não temo a dor no momento. Acredito que o sentimento não vai ter fim e que o vai se expandir em um tamanho absurdo. Como sou inocente.

Juras desfeitas, sentimentos reduzidos, choros engasgados. Palavras e sentimentos descartáveis. É relacionamento atrás de relacionamento e frustração atrás de frustração.

Dizem que se cura a dor do amor com outro amor, entretanto estou exausto dessa saga de ir curando e machucando repetitivamente. Não quero mais ter que curar nada. Quero sentir-me saudável, seguro.

As últimas pessoas com quem me relacionei se justificaram que não conseguia se entregar de corpo e alma devido a relacionamentos passados, e que ainda de alguma forma estavam trancados ao passado. Por que elas não se relacionam com outras só quando desapegarem a esse passado e terem certeza que estão curadas? Quanto mais eu me indago, mais dúvidas tenho e poucas são as respostas. Sinto me uma carta de baralho que fica na manga, me pegam quando acham  necessário e quando querem me descartam.
"Viste-me de sonhos, hoje me visto das bermas da estrada."

Começou tudo com dois corações recém-partidos, terminou com um. 
O meu. 
Mais uma vez.

quarta-feira, 13 de março de 2013

...Passado.


O que está no passado, fica no passado. Agora me indago e os sentimentos amargos experimentados lá? Não tem como simplesmente apagar algo que foi interiorizado e as pessoas não entendem isso. A Confiança em tudo desaparece. Confiança não surge do nada, se constrói. Foram tantas decepções que automaticamente construí uma autodefesa. Como já disse anteriormente em uma postagem, a mudança ocorre de modo dolorido e lento e tenho o direito de errar.

O que é pior: Mentir ou omitir sobre a confiança?