terça-feira, 22 de abril de 2014

Aquele/Aquela

Aquele encontro
Aquele jogo de conquista
Aquele sorriso sem vergonha
Aquele calor entre os corpos
Aquele sexo sem pudor

Aquele arrependimento incompreendido
Aquele sentimento frio repentino
Aquele silêncio que perdurou
Aquele dia que você me deixou
Aquele dia que tudo acabou

Aquela decepção
Aquela recordação
Aquela aflição
Aquela mensagem que nunca vou receber.

Aquela temporada fria sem aquele que poderia me aquecer.

quarta-feira, 19 de março de 2014

Ceder de si

Foi se o tempo que insistia em permanecer no cárcere da ilusão, no calabouço da amargura.
Hoje possuo uma posição indiferente nas questões inerentes aos meus sentimentos, na verdade mascaro minhas sentimentalidades através dessa indiferença, me recuso a evidenciar. 
Os poéticos ao se revelarem, sofrem demasiadamente. É um preço elevado que se paga.
As relações andam tão efêmeras, que a construção temporal de um “permitir conhecer aos poucos” se tornou algo descartável. Procrastina-se o conhecer a essência das pessoas e agiliza-se o prazer da libido sem arrependimento nenhum, em uma intensidade célere e com um período breve.
As poesias, de outrora, que expressam as ardências de uma paixão da alma, tornam-se tão ridicularizadas, não possuem espaço e não se sustentam nas relações pós-modernas. 
No cotidiano as conversas apresentam um déficit léxico e as pessoas vazias.
O ceder de si para o outro com o tempo é algo prejudicial pra quem está com o coração deteriorado e a consciência esclarecida.