quarta-feira, 9 de março de 2011

Inopinado 1


O despertador dispara aflito.
Abro meus olhos com certa perspicácia.
A pele concebe um misto de sentimentos que não se manifestava desde os tempos de minha mocidade.
Acredito que seja a paixão, batendo ligeiramente em meu coração. Eu zombo, sem graça e corro em direção à sala, procuro seu significado em um dicionário empoeirado na estante.

“Sentimento forte; amor ardente; afeto violento; entusiasmo; vício dominador; alucinação”.

Não sei qual definição posso me enquadrar no momento. A certeza única é que me contagia para a ventura no plano lúdico.
Minhas pálpebras se escorregam em direção ao chão.
Sonho acordado, por um momento, atônito.
Posso jurar que este odor que exalo é teu. Que a exaustão que sinto é conseqüência da noite passada que estivemos consumando nossa libido.
Os acontecimentos poderiam ser verídicos, exceto pelo fato de nunca ter te visto, tocado em seu rosto tépido.
Volto para minha cama, fecho meus olhos, esforço-me para dormir, pois quero que este momento surreal alimente minha psique quando acordar novamente.

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