terça-feira, 2 de agosto de 2011

Resquício.

- Estás de bebedeira logo ao amanhecer?
- Estou adoecido, minha irmã! Logo, preciso.
- O que tens? Desde quando álcool cura doença?
- Pois a doença que sofro, é incurável, é a da paixão.
- Não me venha com mais essa.
- Estás a observar esta echarpe que não consigo desprender de minhas mãos?
- É notório! Não parou de fungá-la.
- É a única recordação que tenho, aqui está impregnado o cheiro de seu perfume, sabes que sinto até o tépido de seu corpo?
- Pare de molecagem! Como se chama sua donzela?
- Fiquei tão encantado com sua beleza que não deu tempo de inquirir a respeito de seu nome.
- Aposto que é mais um de seus romances boêmios.
- Aposto que não é, estou envolvido.
- Não seja insano, meu irmão. Não possuis uma explicação plausível para isso.
- E sentimentos têm satisfações admissíveis?
- Pare de dizer asneiras e procure algo útil para se ocupar nesta breve existência.
- Assim farei, começarei a escrever um livro sobre as venturas que outrora passara quando regava um sentimento totalmente niilista.
- Já chega! Não me faças rir.

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